terça-feira, 20 de novembro de 2007

Para quem esteve atento à Caixa de Recordações

Havia um raiozinho de luz muito ténue que lhe iluminava a mesa e as folhas de papel liso escrito em letra miúda e congestionada que fazia a cor do papel parecer azul escuro em vez de beije. A caneta tinha ficado aberta com o bico de gel a secar no esquecimento provocado pela pressa de sair naquela tarde estranhamente soalheira para um dia de Dezembro.

Existem sempre muitas razões para se sair em Veneza, a própria estupidez provocada pela inercia de um dia passado na cama, a simples vontade de sair ou mesmo para esquecer problemas e memórias. Veneza bebe-se para esquecer, corre-se as ruas como pioneiros perdidos e ignorados, visitam-se as plazzas como se fosse sempre a primeira vez e navega-se nas gondolas de amigos que estrategicamente nos devem sempre um copo ou outro.

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